Grávida de oito meses, ela perdeu o marido: “Desejei não ter mais filho”

A despedida de uma pessoa querida é sempre muito difícil, a dor do luto é difícil de expressar com palavras, imagine para uma mulher grávida perder o marido quando falta pouco para ter o bebê. Nessa fase, além de passar por tantas alterações no corpo e no emocional, a futura mamãe busca no marido sua âncora para se fortalecer e lidar com o parto, a criação dos filhos tendo o marido presente, ao seu lado.

Para a grávida Marília Oliveira, 35 anos, ela estava vivendo o momento mais incrível da vida. Ela e o marido, José Roberto, 40 anos, sonhavam em ter um filho, para isso levaram 5 longos anos tentando engravidar. Durante esse período, as tentativas não são nada fáceis, tratamento, perdas, expectativas que se transformam em decepção, até que, finalmente o casal Marília e José receberam a tão sonhada notícia de que o “milagre” da vida aconteceu, eles teriam um filho.

Infelizmente José Roberto não pôde conhecer o filho, morreu de complicações de um edema pulmonar, após ter sofrido 9 aparadas cardíacas ele se foi quando a esposa estava grávida de oito meses.

Veja o desabafo de Marília sobre a perda do marido, e como ela superou a vontade de não ter mais filho;

“Uma semana depois de voltar das férias, em setembro de 2017, eu descobri que estava grávida. Fiz o teste de farmácia e enviei a foto para o meu marido com a legenda: ‘Oi, papai’. Ficamos felizes, estávamos tentando engravidar havia cinco anos.

Não sei se estava no inconsciente dele, mas o tempo que ele acompanhou a gestação, cerca de sete meses, curtiu mais do que eu. Ele fazia planos, dizia que seria parceiro e participativo. O sonho dele era ser pai. Ele ficou eufórico quando descobrimos que teríamos um menino, escolheu o nome Manuel em homenagem ao avô paterno. Eu estava no fim da gravidez, no oitavo mês, quando meu marido teve febre, dor de cabeça, ficou com o corpo inchado. Esse mal-estar durou uma semana até que ele foi ao hospital em uma segunda-feira achando que era uma sinusite. Ele me ligou para falar que estava bem, mas que ia ter que ficar internado para fazer uma bateria de exames e no dia seguinte teria alta. Ele pediu para a sobrinha dele passar a noite comigo, eu fiquei preocupada e mandei uma mensagem dizendo que queria estar ao lado dele. Ele respondeu: ‘Eu também queria, mas preciso proteger você e o nosso filho’. Foi a última vez que nos falamos.

No dia seguinte, minha cunhada foi me buscar no trabalho e falou que ele tinha piorado. Os médicos suspeitavam que ele tinha contraído a gripe H1N1. Eu não pude visitá-lo pelo risco de contaminação. Na madrugada de terça para quarta, no dia 11 de abril de 2018, ele sofreu nove paradas cardíacas e faleceu. Eu não tive nenhum pressentimento, dormi bem, mas quando acordei, fui invadida por um vazio, uma sensação ruim. Eu não sabia o que estava acontecendo, todos tentavam me poupar por causa da gestação, mas eu imaginava que algo grave tinha acontecido com ele. Desejei não estar mais grávida quando soube da morte do meu marido Meu cunhado me levou para a casa do meu sogro alegando que ele me levaria para a consulta do pré-natal que estava agendada para mais tarde. Quando cheguei lá, vi um monte de parentes do José Roberto, todos com a cara assustada. A médica da família me abraçou e disse: “Marília, o Beto não resistiu”. Eu caí no sofá e comecei a chorar desesperadamente. Naquele momento, em que eu soube da morte do meu marido, eu desejei não estar mais grávida, não queria mais ter meu filho. Eu me culpei, achei que se não estivesse grávida, eu poderia ter acompanhado o José Roberto e evitado aquela tragédia. A causa da morte foi edema pulmonar.

Na despedida dele, no velório, eu perguntava por que ele tinha me abandonado, achava que minha vida tinha acabado. Nesse último mês da gravidez, eu mudei para a casa dos meus sogros, segui à risca tudo o que a obstetra orientou, fiz todos os exames, ultrassons, eu me importava com a saúde do Manuel, mas não existia mais o elo entre mãe e filho.

Me transformei com o nascimento do Manuel, ele renovou tudo o que estava destruído em mim Eu só me descobri mãe e o amor por ele floresceu quando ele nasceu, no dia 5 de maio de 2018. Ele foi levado para a UTI porque tinha uma alteração nos rins. Me informaram que ele faria vários exames e que só ficaríamos juntos no dia seguinte, mas eu não aceitei, dizia que queria meu filho. Eu me transformei com o nascimento do Manuel, renasci como pessoa, ele renovou tudo o que estava destruído em mim.

Eu continuei morando com os meus sogros, eles me tratavam como uma filha, recebi todo apoio e conforto possível deles, da minha comadre dos meus familiares e amigos, mas, ainda assim era muito difícil cuidar do meu filho sem a presença paterna. Ninguém pode substituir o José Roberto: cada pessoa é única. Nesse processo, vivi um conflito de emoções pelo luto do meu marido e a alegria de ter o Manuel. Aperfeiçoei a minha fé em Deus e segui em frente. Quando meu filho completou cinco meses, eu voltei para a minha antiga casa. Minha mãe fica com a gente durante a semana, na sexta ele fica com os avôs paternos e no sábado e domingo aproveitamos para brincar e passear bastante.

Fica a saudade e a sensação de que preciso olhar para o futuro e ser feliz O Manuel está com um ano e um mês, ele ainda não entende muita coisa, mas eu mostro a foto do meu marido e o ensino a dizer papai. Ele repete e faz carinho na imagem. Hoje o sentimento que tenho pelo José Roberto com quem tive uma união de 14 anos, não é mais de tristeza, mas, de saudade. O filho que ele me deixou me traz diariamente a sensação de que eu preciso olhar para o futuro, deixar o sofrimento para trás e ser feliz”.


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Written by Marina Souza

Olaa pessoal! Sou a Marina, amo escrever sobre maternidade, família e noticias de ultima hora, com intenção de colaborar com a sociedade e a família. Amo meus filhos e tenho uma gatinha preguiçosa. Ah ja ia me esquecendo, sou blogueira ha 12 anos.

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